"É com prazer que recebo a primeira participação especial no "Chapeletando o Cucuruto". A visita de Luciana, minha namorada, a Chapel Hill foi maravilhosa!!! Como é bom ter pessoas que amamos por perto. Lu, foi ótimo recebê-la em Chapel Hill e é muito bom ter um registro seu aqui. Afinal, esse blog não existiria sem o seu estímulo e apoio."
Como também estou chapeletando, resolvi escrever. Para quem me conhece bem e já veio a Chapel Hill (o que se resume ao Erick), sabe que amei duplamente este lugar! Primeiro por reencontrar com o Erick (foram longos 2,5 meses afastados) e também pela quantidade de áreas verdes que há por aqui. Como fiz a faculdade na Unifesp e sempre morei em Sampa, o campus da Universidade da Carolina do Norte (UNC) e a cidade de Chapel Hill são verdadeiros sonhos de consumo para mim.
Esperei chegar até o final da viagem para colocar uma visão mais ampla sobre os EUA. Além de Chapel Hill, conheci um pouco das cidades vizinhas: fomos numa churrascaria em Durham – ver o Brasil ser eliminado da Copa - e também assistir a uma queima de fogos no dia 4 de julho na cidade de Raleigh – capital da Carolina do Norte, num mega-apartamento cujas paredes envidraçadas davam vista para grande parte da cidade.
Mas até chegar em Chapel Hill, aconteceram algumas situações estressantes. Tirar o visto para os EUA é algo que não desejo pra ninguém: preencher aquele formulário (quem vai dizer que tem afinidades com grupos terroristas?), fazer aquela entrevista e aguardar a afirmativa (ou negativa)... Ainda, depois de tudo isso, teria que passar pela imigração sem ser deportada (minha sorte é que o policial foi com a minha cara e perguntou se eu sabia sobre a cirurgia para corrigir minha hiper-hidrose e logo me deixou passar).
Conheci bons restaurantes, visitei muitos lugares (museus, planetário, jardim botânico, a maior mansão dos EUA, uma feira famosa da cidade vizinha - a “Carrboro Farmer’s Market”, que várias pessoas falaram que era o máximo, mas era fichinha para quem está acostumado com feira de rua aqui no Brasil) e me enrolei à beça com essa língua. Quem acha que está com o inglês em dia porque consegue acompanhar seriados americanos sem ler a legenda, vai se assustar um pouco... No final das contas, dá pra se virar e entender o contexto (se você sorrir e balançar a cabeça, tá tudo certo).
Os 20 dias que passei em Chapel Hill foram ótimos (claro que eu não ia falar no blog dele que não foram - brincadeirinha). De verdade! Os norte-americanos são educadíssimos, a cidade é linda, tudo é muito limpo e organizado, mas a passagem de volta estava comprada... Tudo valeu a pena. E se der certo, em dezembro repetirei a dose!
Monday, July 26, 2010
Monday, June 7, 2010
O desafio da carteira de motorista
Mais de 1 mês após nossa última conversa, estou feliz por voltar ao blog. No mês passado, pelo menos três situações mereciam ser contadas aqui: fui a um seminário de um cientista prêmio Nobel, no qual ele descreveu suas principais experiências ao longo de 60 anos de carreira (seminário espetacular, diga-se de passagem); fui a dois jogos de baseball (eita esporte engraçado); e finalmente, fui solicitar minha carteira de motorista. Como não está me sobrando muito tempo para “blogar”, escolhi escrever sobre o último acontecimento, pois este ficará marcado para o resto da minha vida como uma experiência um tanto traumatizante. Posso até dividir essa epopeia em quatro atos!
Primeiro Ato: Preparativos
No final de abril/início de maio, eu visitei o website da divisão de veículos do estado da Carolina do Norte (DMV – NC; o equivalente ao nosso Detran) e baixei o Manual do Motorista. Neste, pude aprender os procedimentos para solicitar a carteira de motorista e todas as provas que deveria fazer. Boa notícia: não precisa pagar nada até finalizar todo o processo de solicitação da carteira. Má notícia: teria que fazer quatro provas, incluindo uma de sinais de trânsito e uma teórica e uma prática. Fiz uma busca na internet e li vários comentários de que a prova teórica era muito confusa e com questões dúbias. Sem falar que o aproveitamento mínimo deveria ser de 75% para ser aprovado (20 acertos em 25 questões). Ouvi também vários comentários de pessoas que haviam reprovado nessa prova, inclusive pessoas com experiência e anos de direção.
Com o sinal amarelo aceso, iniciei a leitura do manual. Estudei pra valer e, relembrando o tempo de faculdade, cheguei até a escrever um resumo. Claro que alguns tópicos são universais: faixa de pedestre, linha amarela pontilhada ou contínua separando faixa, etc. Outros, no entanto, são diferentes e foram novidades pra mim. Por exemplo, se um ônibus escolar estiver parado, carregando ou descarregando passageiros, todos os carros que estiverem na mesma mão do ônibus, e também na contra-mão, são obrigados a parar até que o ônibus entre em movimento novamente. Infringir esse regulamento é a mais grave infração de trânsito do estado e caso um acidente fatal seja gerado por tal infração, o motorista responde por homicídio, com toda força do código penal norte-americano contra o cidadão.
O capítulo de sinais de trânsito é um caso à parte. São diversos tipos de sinais, divididos em três categorias principais. Para fazer o teste de sinais de trânsito, é necessário saber não apenas significado de cada um deles, mas também conhecer o sinal pelo seu formato e cor.
Segundo Ato: Primeiros testes
Após ter feito alguns simulados online, senti-me preparado para enfrentar as provas e fui ao escritório do DMV com todos os documentos necessários. Iniciei pelo exame de vista, seguido pelo de sinais e pela prova teórica. Exatamente como eu havia lido, algumas questões eram meio sem sentido, mas eu estava preparado e acertei as 20 questões já nas primeiras 21 perguntas. Agora eu já tinha um número de carteira de motorista, mas ainda faltava fazer a prova prática. Para isto, eu deveria retornar ao DMV na semana seguinte com um carro. Saí de lá bastante seguro, imaginando que a parte mais complicada já havia passado. Afinal, com 11 anos de carteira de habilitação no Brasil, dirigindo em cidades com trânsitos caóticos, não imaginaria que teria dificuldade na prova prática. Ledo engano...
Terceiro Ato: “You’re scaring me to death. Don’t do that crap!”
Antes de ir ao DMV, eu estava na universidade, do lado de fora do prédio, esperando um amigo que iria me emprestar o carro para eu fazer o teste. Um dos professores chegou e me perguntou por que eu estava ali. Eu avisei o que iria fazer e ele comentou: “Se você for reprovado, não se assuste. Eu fui reprovado na primeira vez que fiz esse exame.” Este foi o primeiro sinal negativo.
O DMV estava lotado quando eu cheguei. Enquanto aguardava a minha vez, percebi que se a pessoa voltasse da prova prática de direção (ou driving test) e fosse tirar a foto, é porque ela havia sido aprovada, caso contrário, a pessoa estava reprovada. Três pessoas antes de mim saíram para fazer essa prova e somente uma foi aprovada. Segundo sinal negativo.
Quando fui chamado para o teste, a examinadora perguntou pelos meus documentos e pelo registro do carro. Eu entreguei os documentos e informei que havia deixado o registro no carro. Ela disse que não tinha problema, mas se eu precisasse fazer o teste novamente, eu deveria trazer o registro do carro comigo. Terceiro e último sinal negativo.
Fomos para o carro, ela me explicou o que eu deveria fazer e falou que eu podia dar a partida no carro. Eu estava calmo, mas logo na primeira curva tomei uma bronca. A examinadora entendeu que eu ia entrar na highway (estrada) sem esperar os carros passarem (coisa que eu não ia!). Ela meio que gritou para eu parar o carro. Eu prontamente fiz e tive que ouvir: “Tem carros na pista, você não pode entrar assim!” Nessa hora, eu fiquei nervoso. Se tem uma coisa que é difícil de fazer é contra-argumentar em inglês numa situação de pressão. Limitei-me a pedir desculpas. Seguimos o teste e na curva seguinte, eu tomei outra bronca, numa situação semelhante. Foi aí que ouvi a frase que é o título desse ato. Em bom pernambuquês, a examinadora quis dizer “Você está me assustando que só a porra. Não faça esse tipo de merda!”. Não fazia nem 5 minutos que o exame havia iniciado e eu já sabia que tinha me lascado... O resto do teste foi só pra constar.
O gosto da derrota é péssimo, principalmente quando se é responsável pelo seu próprio fracasso. Em nenhum dos momentos, eu ia avançar o carro de forma desordenada, mas também não tive capacidade de tentar explicar isso à examinadora. Talvez eu realmente tenha feito algo que a levou a entender que eu ia cometer aquelas infrações de trânsito. Como em situações de trauma, eu não me lembro direito do teste. Acho que relaxei após a prova teórica e este foi meu erro fatal. Saí do DMV arrasado, com vergonha de mim mesmo. Consegui ser reprovado em um exame fácil, se comparado ao que temos que fazer no Brasil.
Quarto Ato: Do silêncio à celebração
Após mais de uma semana digerindo meu fracasso anterior, retornei ao DMV para fazer o teste novamente. Dessa vez, o escritório estava vazio e logo chegou a minha vez. Um examinador com cara de poucos amigos me atendeu. Tudo ocorreu tranquilamente, embora eu estivesse muito nervoso. Ao final do teste, o examinador começou a me explicar sobre mudança de faixas. Ele foi meio grosso e em seguida saiu do carro. Eu pensei que havia reprovado de novo.
Já no escritório, o examinador não olhava pra mim e limitava-se a digitar coisas no computador. Ele ficou uns 5 minutos assim, sem pronunciar um balbucio sequer. Sabe quando os minutos ganham status de eternidade? Essa foi a sensação. Nem os minutos que antecederam o início da minha defesa de tese foram tão longos. Finalmente, ele me mostrou umas figuras, pediu que eu escolhesse uma para ser o fundo da minha carteira e informou-me que eu deveria pagar 4 dólares. Escolhi a imagem e paguei a taxa. Em momento algum ele me informou que eu havia sido aprovado. Mas dessa vez, eu tirei a fotografia.
Thursday, April 29, 2010
No meio do caminho tinha um “da”
Sempre fico impressionado como as diferenças culturais pulam aos nossos olhos nas situações mais inusitadas. Se na maioria das vezes essas diferenças podem gerar, no máximo, uma gafe, em outras situações elas podem colocar uma pedra no caminho, como já dizia Carlos Drummond de Andrade em um de seus mais famosos poemas. Aliás, acho que até Drummond, com um “de” em seu nome poderia ter passado por situação semelhante à minha.
Numa terra onde as pessoas são identificadas pelo sobrenome, seguido pelo primeiro nome e por um tal de “nome do meio”, um simples “da” pode colocar uma pedra no caminho e criar muita confusão. Taí uma coisa que não me entra na cabeça: aqui, uma lista de nomes em ordem alfabética é feita pelo último nome. O mesmo acontece quando se vai preencher qualquer formulário de documento. A pergunta número 1 é sempre: “Qual o seu sobrenome?” Dessa forma, eu “deixei de ser” Erick José Ramo da Silva para ser Silva, Erick J. R. da. O problema começou justamente quando o “da” foi parar no lugar onde não devia.
Eu sempre entendi que o “da” presente no meu nome atua apenas como preposição, ligando o Erick José Ramo ao Silva, não sendo, portanto, parte do meu sobrenome. Espero não estar errado nessa observação. Caso esteja, peço aos meus parentes que me corrijam. Enfim, o causo começou a se desenhar em Agosto de 2008, quando vim para a UNC fazer o doutorado-sanduíche. O secretário do laboratório não pensou como eu e entendeu que meu sobrenome era “da Silva” e assim me cadastrou no sistema da universidade, sem que eu tivesse percebido tal fato. Até aí tudo bem. Ao retornar à UNC, meu cadastro teve que ser atualizado e reativado. Tudo parecia simples, pois era só reativar o mesmo número de identificação que tinha antes e pronto! Dessa vez, no entanto, o secretário me cadastrou com o sobrenome “Silva” e um número de identificação diferente foi gerado. Era como se outra pessoa, com o nome parecido com o meu, tivesse chegado para trabalhar na UNC.
Para dar continuidade ao processo de atualização e reativação do cadastro, era necessário que o pessoal de outro setor da universidade me achasse no sistema, mas ninguém conseguia, pois estavam procurando um Silva com um número de identificação de um da Silva. Os dias foram passando e nada... Finalmente, 10 dias após a minha chegada, o secretário encontrou o problema. Para resolvê-lo, porém, eu teria que ligar no departamento de pessoal e explicar qual era o meu sobrenome. Somente depois de várias explicações sobre meu nome completo, sobrenome e esse bendito “da” é que o problema foi resolvido. Pensei comigo, tanta confusão por um “da”.
Curiosamente, nesse mesmo dia fui jantar num restaurante chinês perto de casa e na hora de pagar a conta, a caixa viu minha assinatura e comentou sobre o meu nome “longo”:
- Você tem os sobrenomes do seu pai e da sua mãe? Perguntou.
- Não. Meu pai e minha mãe tinham o mesmo sobrenome na época em que se casaram. Respondi já imaginando que iria ter que explicar novamente a história do “da”.
- Nossa! Eles se casaram mesmo assim? Na China, as pessoas que têm o mesmo sobrenome não podem se casar. Comentou como se eu tivesse acabado de falar uma terrível blasfêmia.
Fiquei sem palavras, mas imaginando a cena: a senhora Zing da Silva não pode se casar com o senhor Zhou da Silva, mas pode com o senhor Zhan e Silva. Ainda bem que isso não é verdade para nós, caso contrário, a taxa de natalidade iria lá pra baixo....
Numa terra onde as pessoas são identificadas pelo sobrenome, seguido pelo primeiro nome e por um tal de “nome do meio”, um simples “da” pode colocar uma pedra no caminho e criar muita confusão. Taí uma coisa que não me entra na cabeça: aqui, uma lista de nomes em ordem alfabética é feita pelo último nome. O mesmo acontece quando se vai preencher qualquer formulário de documento. A pergunta número 1 é sempre: “Qual o seu sobrenome?” Dessa forma, eu “deixei de ser” Erick José Ramo da Silva para ser Silva, Erick J. R. da. O problema começou justamente quando o “da” foi parar no lugar onde não devia.
Eu sempre entendi que o “da” presente no meu nome atua apenas como preposição, ligando o Erick José Ramo ao Silva, não sendo, portanto, parte do meu sobrenome. Espero não estar errado nessa observação. Caso esteja, peço aos meus parentes que me corrijam. Enfim, o causo começou a se desenhar em Agosto de 2008, quando vim para a UNC fazer o doutorado-sanduíche. O secretário do laboratório não pensou como eu e entendeu que meu sobrenome era “da Silva” e assim me cadastrou no sistema da universidade, sem que eu tivesse percebido tal fato. Até aí tudo bem. Ao retornar à UNC, meu cadastro teve que ser atualizado e reativado. Tudo parecia simples, pois era só reativar o mesmo número de identificação que tinha antes e pronto! Dessa vez, no entanto, o secretário me cadastrou com o sobrenome “Silva” e um número de identificação diferente foi gerado. Era como se outra pessoa, com o nome parecido com o meu, tivesse chegado para trabalhar na UNC.
Para dar continuidade ao processo de atualização e reativação do cadastro, era necessário que o pessoal de outro setor da universidade me achasse no sistema, mas ninguém conseguia, pois estavam procurando um Silva com um número de identificação de um da Silva. Os dias foram passando e nada... Finalmente, 10 dias após a minha chegada, o secretário encontrou o problema. Para resolvê-lo, porém, eu teria que ligar no departamento de pessoal e explicar qual era o meu sobrenome. Somente depois de várias explicações sobre meu nome completo, sobrenome e esse bendito “da” é que o problema foi resolvido. Pensei comigo, tanta confusão por um “da”.
Curiosamente, nesse mesmo dia fui jantar num restaurante chinês perto de casa e na hora de pagar a conta, a caixa viu minha assinatura e comentou sobre o meu nome “longo”:
- Você tem os sobrenomes do seu pai e da sua mãe? Perguntou.
- Não. Meu pai e minha mãe tinham o mesmo sobrenome na época em que se casaram. Respondi já imaginando que iria ter que explicar novamente a história do “da”.
- Nossa! Eles se casaram mesmo assim? Na China, as pessoas que têm o mesmo sobrenome não podem se casar. Comentou como se eu tivesse acabado de falar uma terrível blasfêmia.
Fiquei sem palavras, mas imaginando a cena: a senhora Zing da Silva não pode se casar com o senhor Zhou da Silva, mas pode com o senhor Zhan e Silva. Ainda bem que isso não é verdade para nós, caso contrário, a taxa de natalidade iria lá pra baixo....
Friday, April 23, 2010
Lá e de volta outra vez!
Quem leu o Hobbit e a trilogia do Senhor dos Anéis, escritos por JRR Tolkien, vai lembrar-se da frase acima. Ela retrata o desejo do hobbit Bilbo Bolseiro, personagem da saga e autor da frase, de reviver aventuras passadas durante sua primeira e única jornada à Montanha Solitária, onde vivia o perigoso Dragão Smaug. Quando decidi retornar à cidade de Chapel Hill, no estado norte-americano da Carolina do Norte (onde não existem dragões, claro), essa foi a primeira frase que me veio à cabeça: “Lá e de volta outra vez”.
Trazido pelas linhas tortas da carreira científica (que tanto amo), morei pela primeira vez aqui de Agosto de 2008 à Janeiro de 2009, quando ainda era estudante de doutorado. Lembro-me perfeitamente de todas as etapas da tensão que é sair do nosso país para morar fora. As dúvidas sobre como seriam os meses seguintes foram enormes e, muitas vezes, imaginei que iria enfrentar não só um Smaug, mas vários! Após minha chegada, as dúvidas foram passando e a experiência foi extremamente positiva.
Ao contrário de Bilbo, meu retorno de fato aconteceu. Novamente, a vontade de aprender coisas novas, de me tornar um cientista melhor e com mais maturidade me fizeram retornar à Chapel Hill, dessa vez para um pós-doutorado. Curiosamente, percorri o mesmo itinerário feito anteriormente, como era o desejo de Bilbo Bolseiro para a sua frustrada segunda jornada. Novamente, muitas dúvidas vieram à minha cabeça como raios numa tempestade: “Será que estou fazendo a escolha certa?”, “Até quando terei que me afastar das pessoas que eu amo para ficar correndo atrás dos meus sonhos profissionais?”, “Quão justa é a vida de cientista?”, “Será que dessa vez haverá um Smaug me aguardando?”, etc. São perguntas difíceis de serem respondidas no momento.
Com certeza irei reviver várias aventuras e experiências que passei durante a primeira vez em que morei aqui e novas também virão. Retratar essas experiências foi a principal razão que me levou a criar esse blog. Não sinto em mim nenhuma inspiração literária, apenas gostaria de dividir com meus familiares, amigos e qualquer surfista digital que caia de pára-quedas nessa página fatos e causos do meu dia-a-dia. Acredito que isso irá me deixar mais perto de todos que eu amo.
Lu, meu amor, obrigado por ter me estimulado a criar esse blog!
Trazido pelas linhas tortas da carreira científica (que tanto amo), morei pela primeira vez aqui de Agosto de 2008 à Janeiro de 2009, quando ainda era estudante de doutorado. Lembro-me perfeitamente de todas as etapas da tensão que é sair do nosso país para morar fora. As dúvidas sobre como seriam os meses seguintes foram enormes e, muitas vezes, imaginei que iria enfrentar não só um Smaug, mas vários! Após minha chegada, as dúvidas foram passando e a experiência foi extremamente positiva.
Ao contrário de Bilbo, meu retorno de fato aconteceu. Novamente, a vontade de aprender coisas novas, de me tornar um cientista melhor e com mais maturidade me fizeram retornar à Chapel Hill, dessa vez para um pós-doutorado. Curiosamente, percorri o mesmo itinerário feito anteriormente, como era o desejo de Bilbo Bolseiro para a sua frustrada segunda jornada. Novamente, muitas dúvidas vieram à minha cabeça como raios numa tempestade: “Será que estou fazendo a escolha certa?”, “Até quando terei que me afastar das pessoas que eu amo para ficar correndo atrás dos meus sonhos profissionais?”, “Quão justa é a vida de cientista?”, “Será que dessa vez haverá um Smaug me aguardando?”, etc. São perguntas difíceis de serem respondidas no momento.
Com certeza irei reviver várias aventuras e experiências que passei durante a primeira vez em que morei aqui e novas também virão. Retratar essas experiências foi a principal razão que me levou a criar esse blog. Não sinto em mim nenhuma inspiração literária, apenas gostaria de dividir com meus familiares, amigos e qualquer surfista digital que caia de pára-quedas nessa página fatos e causos do meu dia-a-dia. Acredito que isso irá me deixar mais perto de todos que eu amo.
Lu, meu amor, obrigado por ter me estimulado a criar esse blog!
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